Parte-se, numa estrada, com vontade de ir, de crescer, de se descobrir pelos caminhos, o que é isso da fé?
De se saber, porque acreditam num Deus, de nomes dependentes de quem fala...
Parte-se numa aventura que se desenha pelo caminho, onde se encontram almas, que nos desenham no coração trilhos de amizade, partilha e definições de amanhã.
A cada história, há encontros, ou desencontros, que em coincidências disfarçadas nos tricotam nuns fios de seda resistente, numa malha desconhecida. Sem ombro dado ou oferecido, num silêncio partilhado, a vida de cada um desnuda-se aos nossos olhos, seguida pela natureza que rodeia. Podem chilrear pássaros, cair gotas grossas de chuva ou orvalho, podem mil carros de passagem interromper, mas, na caminhada, a cada passo, a cada passada, larga ou curta, eu e tu, tu e o outro, nós, os outros e eu, vamos sabendo ou sentindo, que massa nos compõe, quem são e quem somos, quem amamos e quem nos ama. As histórias, aquelas, as importantes, uma a uma, desvendam-se...e unidos em ou por amor, todos, e não só, começamos a pedir...a querer que o outro, também, consiga solução, resposta, encontro, força, capacidade...
A minha lágrima passa a ser nossa...e não calculam no que se torna um caminho que para mim não levava Deus...que para mim não partia de fé, não procurava milagres, ou respostas.
Agora, aquele caminho, deu-me muita coisa, deu-me visão humilde e humana, muito pequenina, muito reduzida daquilo que o Homem é capaz e do que o Homem não é perante a VIDA, e a natureza. Reforçou-me a noção de que a fé existe, numa fogueira aberta e permanente dentro de nós e, que se alimenta a toda a hora nos milagres que afinal vivemos em todos os momentos, no Deus que encontramos no AMOR...essa sim, foi a resposta que não procurava, a fé que se descobre, na partilha de caminhadas de pés feridos, pés cheios de fé...
Que cada Homem, encontre amor, se recheie dele, que o distribua, que acredite na sua força e nos milagres que resultam da sua dádiva...que não o guarde, que não o peça ou espere, mas que acredite, não duvide, que Ele existe, em nós e nos outros e que ele sim, deve ser motivo de fé e de caminho...
Numa partida sem Deus, descobre-se, se se quiser, que ele existe, e a sua forma é amor. Amor ao outro, ao próximo, à família, aos amigos, aos companheiros, à Vida, ao Mundo...amor que está em tudo, até nos sorrisos sem retribuição, no gesto sem resposta.
Amor é força e caminho, o único caminho, sem hesitação...amei a experiência, os companheiros, as amigas e amigos que me foram dados, as paisagens, a comida, a água, a sede, as dores, as camas e o chão. As orações que ouvi, os carinhos que presenciei, as bolhas que tive e vi, as cantigas que ouvi, o colo que me deram e pediram, o rir e o brincar.
Amei, e cheguei, crente em nós, pessoas e no Amor...e este caminho faz todo e ainda mais sentido..
Amo!
Agradeço de coração ao Ricardo Coelho as fotos que me cedeu, para ilustrar este texto. Para o seguirem vejam:
RicardoSimoesCoelho (olhares.sapo.pt)
Textos soltos sobre viver, encontrar caminhos, amar, relações de casal e de família, encontros e soluções. Que os textos sejam o início...e a vossa resposta a conclusão...
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
sábado, 11 de outubro de 2014
Obrigada por me amares, enquanto choro meus pecados...
No caminho encontram um limite, o seu, o do seu corpo...o da sua fé em si, mas, pela fé num alguém superior, numa entidade suprema que guia, ilumina e inspira, os limites dilatam-se, e independentemente da dor própria...e por dores alheias...os limites das suas dores desaparecem, e em plena abertura e decisão, ignora-se o corpo, os sinais ou reclamações e...vence-se a batalha, caminha-se além...até...e vence-se, ganha-se a paz.
De olhos fechados, sem saber quem somos e na certeza que queremos ser, para sempre donos de sentir, de viver em pleno...reflecte-se, rende-se, reza-se...e numa profissão de fé, num desfile de entidades, aprende-se o amor, em canções de irmandade.
Choram-se em silêncios escondidos, pecados não resolvidos, pede-se um perdão que traga a paz infinita e nos ensine o que é ser feliz.
Entregam-se...em dedicação extrema, por mim, por ti, por aquele que se atravessa no caminho.
Que seja um bom caminho!
Obrigada por me amares, enquanto choro e te dedico os meus pecados.
Perdoa no teu amor, e, leva-me/nos ao colo.
Obrigada por me amares ainda que nos meus pecados.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Fé e coragem...caminhos pela dor...
Aqui, na noite, sem o sol raiado, juntam-se pessoas, para fazer um caminho, um percurso, recheado de histórias que as fazem, que as desenham e marcam, nas rugas e expressões que denotam no rosto, e nos oferecem nos sorrisos rasgados com que nos recebem no seu caminho, num encontro com a sua fé, e fazem-nos chegar, ainda antes de partir.
É caminho de etapas, de degraus e provações, mas com apoio de mãos e gestos visíveis e invisíveis...com cada um transportando a sua bagagem, pedra a pedra, no chão ou no sapato. Um faz e faz-se. Um carrega e descarrega...um põe em causa e segue, pede ou implora...mas, caminha.
A Vida, os filhos, os pais, as mães, os doentes, os sofridos, os presentes ou, os ausentes...tudo é motivo para que numa entrega pessoal, muito própria e íntima, cada um, no seu percurso, se dedique em fé à concretização de um troço, de um pedido, de processos de alma em entrega total, em plena consciência e dedicação.
Parte-se.
De cabeça fita na chegada, e no que se vai dar e pedir de viagem.
Amor transborda e gotas de apoio chegam, pelas mãos de quem se envolve, de quem, por um aceno, um sumo, uma maçã - cuida. Ouvem-se tilintares de chegadas...notas das novas tecnologias, que através de sons disfarçados de sorrisos, põem em contacto quem de longe envia força, desejos de coragem, de bravura e espírito de entrega.
De cabeça erguida, passos dão-se...vivem-se, e num calcorrear dedicado, às vezes frenético, vitorioso, outras vezes cansado e penoso, metros se conquistam e em silêncios que se encontram, escondidos entre as costelas do respirar, solidões rebuscadas no meio de tanta companhia, ajudam a que pensamentos se vão formando, pensares que nos acompanham, nos dedicam à missão e, a fé renova-se, e, com ganas de amor ou paixão, metros se passam, quilómetros de dedicação se somam, nas solas dos sapatos que não reconhecendo o caminho, o traçam em destino.
Seja pelo que for...em grupo, mas no entanto no respeito de se estar só, cada um trabalha as consequências das suas decisões, e de olhar colocado num alguém, numa imagem de força e exemplo, numa história que quero saber, caminho eu, caminham todos...em partilha próxima, extremada, mas em gritos de individualidade.
A cada momento, bem de dentro, vão passando, em pensamentos, em sentimentos, em pedidos, as razões do caminho...é impossível não pensar, não dedicar cada batida à pessoa que se materializa na retina escondida, na cortina que se abre e nos revela, a pessoa por quem de repente queremos bem, tanto bem.
E todos, muitos...aqueles que amamos, alimentam a fogueira, com paus, troncos ou brasas...o fogo que faz estas gentes caminharem de fito na alma, e amor imenso no coração.
A água é divina, apalada-se, aproveita-se...a comida saboreia-se de água na boca, em paladares requintados, e por nenhum ser humano alguma vez experimentado...as paisagens não são belas, são obscenas, invadem-nos numa explosão de sentidos...onde cheiros e cores se intensificam, as histórias, não se contam, fazem-se e vivem-se...a chuva agradece-se...as pessoas acenam-se e numa realidade surreal, afasta-mo-nos de uma vida comum banal, para um contacto com o humano, com os seus limites, com as suas provações, agradecendo o chão que nos acolhe, onde nos deitamos e "esteiramos" o corpo cansado...acabam-se as esquisitices da cidade, da rotina, do garantido...e passa-se a a ser agradecido.
A dependência nutre-se pela independência, o eu tem espaço e no entanto, pode tão facilmente ser esmagado pelo bem maior...não chego, nem caminho só...vou só, e caminho com...
Somos irmãos, unidos pelos pés de fé...caminhando até...




É caminho de etapas, de degraus e provações, mas com apoio de mãos e gestos visíveis e invisíveis...com cada um transportando a sua bagagem, pedra a pedra, no chão ou no sapato. Um faz e faz-se. Um carrega e descarrega...um põe em causa e segue, pede ou implora...mas, caminha.
A Vida, os filhos, os pais, as mães, os doentes, os sofridos, os presentes ou, os ausentes...tudo é motivo para que numa entrega pessoal, muito própria e íntima, cada um, no seu percurso, se dedique em fé à concretização de um troço, de um pedido, de processos de alma em entrega total, em plena consciência e dedicação.
Parte-se.
De cabeça fita na chegada, e no que se vai dar e pedir de viagem.
Amor transborda e gotas de apoio chegam, pelas mãos de quem se envolve, de quem, por um aceno, um sumo, uma maçã - cuida. Ouvem-se tilintares de chegadas...notas das novas tecnologias, que através de sons disfarçados de sorrisos, põem em contacto quem de longe envia força, desejos de coragem, de bravura e espírito de entrega.
De cabeça erguida, passos dão-se...vivem-se, e num calcorrear dedicado, às vezes frenético, vitorioso, outras vezes cansado e penoso, metros se conquistam e em silêncios que se encontram, escondidos entre as costelas do respirar, solidões rebuscadas no meio de tanta companhia, ajudam a que pensamentos se vão formando, pensares que nos acompanham, nos dedicam à missão e, a fé renova-se, e, com ganas de amor ou paixão, metros se passam, quilómetros de dedicação se somam, nas solas dos sapatos que não reconhecendo o caminho, o traçam em destino.
Seja pelo que for...em grupo, mas no entanto no respeito de se estar só, cada um trabalha as consequências das suas decisões, e de olhar colocado num alguém, numa imagem de força e exemplo, numa história que quero saber, caminho eu, caminham todos...em partilha próxima, extremada, mas em gritos de individualidade.
A cada momento, bem de dentro, vão passando, em pensamentos, em sentimentos, em pedidos, as razões do caminho...é impossível não pensar, não dedicar cada batida à pessoa que se materializa na retina escondida, na cortina que se abre e nos revela, a pessoa por quem de repente queremos bem, tanto bem.
E todos, muitos...aqueles que amamos, alimentam a fogueira, com paus, troncos ou brasas...o fogo que faz estas gentes caminharem de fito na alma, e amor imenso no coração.
A água é divina, apalada-se, aproveita-se...a comida saboreia-se de água na boca, em paladares requintados, e por nenhum ser humano alguma vez experimentado...as paisagens não são belas, são obscenas, invadem-nos numa explosão de sentidos...onde cheiros e cores se intensificam, as histórias, não se contam, fazem-se e vivem-se...a chuva agradece-se...as pessoas acenam-se e numa realidade surreal, afasta-mo-nos de uma vida comum banal, para um contacto com o humano, com os seus limites, com as suas provações, agradecendo o chão que nos acolhe, onde nos deitamos e "esteiramos" o corpo cansado...acabam-se as esquisitices da cidade, da rotina, do garantido...e passa-se a a ser agradecido.
A dependência nutre-se pela independência, o eu tem espaço e no entanto, pode tão facilmente ser esmagado pelo bem maior...não chego, nem caminho só...vou só, e caminho com...
Somos irmãos, unidos pelos pés de fé...caminhando até...




terça-feira, 27 de maio de 2014
Esperança...chamamos-lhe isso??
Momentos de desespero, de decisões, situação de vida...sensação de nos sentirmos em mar alto, revolto, sem pé e...
...a ter de tomar uma de três decisões, nado para terra e tenho fé que terei forças e chegarei a algum lado, fico a boiar e espero por um alguém que me procure, me salve...Ou, não aguento o mêdo do sofrer que se aproxima...e, desisto sem esperança, esperando afogar-me, sem sofrer mais...
Metáfora que nos alerta para a desistência, ou para nossa capacidade de luta e resiliência. Metáfora que nos ilustra caminhos que existem sempre, se nos dermos a oportunidade de acreditar em nós, na nossa força, no caminho que se segue que devido à imposição da nossa fé, se pode desenrolar de maneiras diferentes das que anteriormente poderiam ter sido planeadas, ou desenhadas para nós.
Todos eles têm a sua quantidade de sofrimento, de dor, pois todos eles, sem excepção, implicam um esforço da nossa parte, que por vezes, pode parecer desmedido, impossível, incalculável, mas, a cada braçada que damos, a cada momento em que sentimos a gana de apostar em nós, na nossa Vida, no nosso EU, mais força ganhamos para a próxima braçada.
É difícil, às vezes quase que insuportável o sofrimento de algumas pessoas, mas, o escolher viver, "o nadar", o querer ser em pleno, na segurança de terra, no desafio do Mar, vai-nos mostrando que podemos aprender a intercalar esse sofrer, com a Vida no seu lado mais belo, na essência de ser, no silêncio da alma, que às vezes nos consome de ansiedade, ou de descrença.
Somos efémeros, somos frágeis, somos pequenos, somos um átomo no Universo, mas, SOMOS, EXISTIMOS e, quando nós sorrimos, quando de nós gostamos, quando brincamos, quando rimos, quando observamos algo belo, quando beijamos, quando amamos, quando temos amor, quando temos prazer, somos um mundo, um universo, com energia para nos fazer nadar, para nos fazer querer chegar e ter uma Vida nossa, à nossa maneira.
É uma batalha, mas nenhum momento nos deve roubar o desejo, o prazer, de sentirmos em nós, um coração a bater, um viver em cada pedacinho de nós, num momento que pode ser maravilhoso, de sabermos que tem de existir sempre um depois, que nos dá menos dor, mais alegria. Há sempre um depois, se no durante, eu não desistir.
No desespero, no mar alto, não se decide, não se desiste, não se dá opções, tira-se tudo de nós, rasga-se o peito e de face erguida, com a certeza de que se ganha, de que a conquista é nossa, vamos, sem opções.
E, no silêncio da praia, no descanso da areia, na segurança do chão, na nudez do pânico, sem gritos mudos, reflectimos, vemos o sol, o Norte e, em paz, eu encontro-me com o meu eu, que está lá dentro e sobreviveu, não desistiu, viveu. Chegou à costa. E então, roubo tempo à vida, e decido a situação que me preocupa, o mêdo, a angústia, o momento...não passa de um momento.
De coração cheio e em paz, abraçada a mim mesma, respirando toda a minha essência, faço o que acho bem, faço o que me é importante, entrego-me ao destino da minha Vida, ditado por mim, escolhido por mim.
Sou eu que decido, em força, com um olhar no horizonte, fixo no futuro, no sabor do presente.
E, em força, dona do saber que sou eu que ganho esta batalha. Que o destino foi todo meu, que a minha força existe assim, cheia de mim, em alma e coração, mergulho de novo, para a viver.
A cada dia um novo nascer, a cada dia um novo viver.
quarta-feira, 19 de março de 2014
PAI
Ser pai...
Começo por dizer que não haveriam mães, sem pais, e não haveriam pessoas, os nós, sem pais, e que cada vez mais devemos dar tanto destaque a este dia, como ao dia da mãe.
Por muito que as mães sejam diferentes e se assuma que o género, faz e marca diferenças acentuadas na parentalidade, ser PAI, hoje, significa muito mais do que em qualquer outro tempo significou...
Ser pai, é também parir, abrir espaço para que outra entidade parte de mim exista, primeiro no corpo de quem eu amo, na forma do que cresce, simbolizando o afecto que já não chegava ser, ou existir, "só nos dois", depois, porque partilho ou cedo, de um todo, o meu palco, para uma nova entidade, que a partir do dia que existe, me suga numa entrega desmesurada, acautelada, medrosa, nervosa...numa entrega que me faz escorregar, dar passos certos, por caminhos desconhecidos, que desbravo com essa nova entidade. A cada dia que cresce, a cada dia que cresço eu.
Perco a minha dama, para um bem maior, e passado tempos, luto também por ter o meu lugar distinto, no coração de todos.

Dizem-me que existem papéis que esperam que eu tenha, que existem modelos a seguir, e as exigências da sociedade, desta nova sociedade, cheia de novos paradigmas, coloca-me num papel novo, numa encruzilhada entre ser o pai presente, e o homem de carreira. Ser o marido participativo, o prestador de cuidados, mas ser e sentir-me masculino. Impor a minha autoridade num jogo de cintura, que nunca sei se vai de acordo com os acordes da música que toca.
Mas, certezas tenho, cada vez há mais PAIS, participantes, com voz, com um coração e amor tão grandes como o das mães, que lutam por fazer valer o seu papel, não apenas em modelos estereotipados, mas também em modelos únicos que definem cada família, nas suas estruturas.
Todo o pai faz falta, por nome, por origem, por raízes...mas, se tudo for saudável, todo o pai faz falta pelas suas manifestações diárias de afecto, pela carícia no rosto, pelo afago no cabelo, ao deitar na cama, pelo banho que dá, e nos sorrisos que troca com o bebé, ou com o filho, onde surge uma linguagem única que nunca mais se esquece.

Pelas manifestações de limites, imposições, e castigos, que forçam e modelam comportamentos, mas que no fim, provam que estás lá para mim pai.
Pelas verdades que me dizes, pelas doces mentiras com que me embalas, pelos braços com que me abraças e deixas sentir, que nada de mal me vai acontecer.
A dança não é só da mãe, também é tua.
Eu sou pedacinhos de ti, espalhados em mim, em todos os recantos que tenho.
Hoje, é o teu dia, dia de se poder dizer, que se tem ou teve um pai, e que se sabe o que é sentir essa presença em nós, a olhar, a zelar...no conforto do caminho, da Vida que me deste.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Elefantes no peito...
No caminho da Vida, na estrada que seguimos, vamos tendo alguns assuntos que nos incomodam, com os quais não estamos confortáveis, com os quais, lidamos de e à superfície, de passagem, numa fuga para a frente, sem resolução permanente, sem um alívio na mente.
Isto, é como se fossem dores crónicas, mentais ou sentimentais, que representam elefantes, que se vão sentando no nosso peito. Estes não estão no meio da sala, onde posso fingir que não os vejo, ou que andam por lá à solta, estes estão estacionados em cima de mim, confortavelmente à espera, que me dê a mim própria a oportunidade de os domesticar, mandar levantar, dar retirar, enxotar...qualquer coisa que os faça levantar.
Mas, às vezes eu não faço qualquer coisa, não faço NADA, e, eles agrupam-se, formam manadas, e, se eu NADA fizer, a certa altura não respiro, estou esmagada, não sou nada, porque o peso se torna incomportável.
Porque quero eu assuntos elefante? Porque os quero em cima do meu peito, se não me deixam respirar?
Por medo de ser livre?
De escolher, de arriscar nessas escolhas, de descobrir caminhos errados, no trabalho, no amor, na Vida...
Medo de me defrontar com as minhas limitações, os meus medos, que me congelam as pernas, os membros...e, me empurram para uma anestesia pela dor. A dose torna-se hábito, e suporto mais, a dose aumenta e, eu aguento.
Até que, já não respiro mais. Não vivo, sobrevivo. O peso esmaga, e de manhã, ao acordar, escondo-me de mim, não me quero levantar, luto insanamente, contra este peso, que me empurra para baixo, não me levanta, não me ergue.
Que elefantes carrego eu no meu peito?
Que peso dou eu aos assuntos que deposito fielmente, em cima de mim mesma e que me inibem de respirar, voar?
Às vezes dou por mim cheia de elefantes, assuntos que me esmagam no seu peso, porque não me debruço a resolver, a agir. Calço uns ténis e corro para a frente, como se eles não estivessem lá. Mas, estão, não me largam, e um dia, caio, esmagada, por este sentir.
Conselhos?
PARAR!
Questionar, se saboreamos aqueles momentos frágeis, rápidos e fugazes de felicidades, com que a Vida nos presenteia.
E, se não respiramos?
Se nos dói o peito, se nos sentimos com uma vida sem sabor, uma Vida própria engripada, com moínhas...então...
Há elefantes a mais.
Há dor a mais.
Há impotência a mais.
Há falta de confiança e fé na luz, na energia que temos em nós, no nosso amor próprio, no amor que aprendemos a desenvolver a crescer.
Então...
Analisamos elefantes, arrumamos os ditos cujos, por ordem, por gravidade, por medo, por capacidade de resolução.
Respiramos fundo, in and out, escolhemos um, e vamos...com um amor ao meu eu, com o direito à Vida, com a minha/nossa FORÇA.
VAMOS. Agarramos e falamos, gritamos ao mar, caminhamos na areia, rezamos, lavamos a cara. E, num grito de alma, agarramos nele, em peso, à bruta e, atiramos com ele.
A liberdade do agir sobre a dor do pensar, é oxigénio de alma, é renascer na nossa própria história.
É fazer uma lenda da nossa luta e como troféu temos o nosso sorriso, a nossa leveza, a alegria com que se chega a casa, com o dia conquistado, vencido por nós, na força que somos, que temos...chegamos domadores de elefantes.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Adolescência Crescida...Enleios, Labirintos, Encruzilhadas...PERDIDOS NAS ACHADAS

Para mães, pais, e filhos...naqueles espaços em que não cabe ninguém, e no desespero, pensamos todos, que não sabemos o que fazer...
"Chego a um ponto de descontrolo, de lágrimas banhada, com gritos de raiva, coexistências de amor e ódio...não sei por onde ando e onde quero estar, num desassossego doido, de nem a mim me querer.
Encontro-me dentro de mim, enleada, em soluções, ilusões e perguntas sobre um mundo cheio de tudo e de nada, que nos oferece a cada encruzilhada, decisões que nem sempre sabemos tomar.
Na cabeça, reside um labirinto de opções.
Estou na estrada de deixar de ser criança, e passar a ser crescida, salto do colo da mãe e vivo a Vida, ou fico aqui parada na procura das respostas que os meus 16 anos não me dão...?
Vivo este amor por estas entidades que me fizeram, criaram e ensinaram, ou corto, desgarro-me para me encontrar em mim, e descobrir quem eu sou, quem é o EU que existe em mim, que não é parecido, tal e qual, sem tirar nem por, um alguém que já existe na linhagem que me antecedeu.
Onde estou amanhã?
Em quem acredito?
Há Deus?
Há Universo?
A minha melhor amiga é mesmo?
O que é ser pessoa?
Que valores são todos os que me ensinaram e com os quais, agora, me vejo confrontada, e não existem, ou contorcem-se nas realidades e verdades de cada um. Que não são as verdades que me ensinaram...que a verdade pode ser mentira, e a mentira, pode ser a minha verdade. Que a verdade dos adultos pode não ser a minha. Que as justiças e injustiças, minhas, dentro de mim perdidas, não se igualam ou tocam aqueles que me rodeiam.
Onde está a minha MÃE, ou PAI, as entidades perfeitas e gigantes, no cimo do trono em mim moral?
Como lido com o descobrir que são, ou que nunca passaram de ser, pessoas, daquelas, normais...mas, que amo com tal força, que consigo num rasgo de tempo, odiar com as mesmas ganas, com que amo, e morro por?
Como choro e rio, no mesmo segundo, e me encontro entre hormonas que em mim flutuam, e me fazem questionar. É tudo isto real, vivo aqui? Tenho alma, sou imortal, reencarnarei, posso ter fé...???
Fé em quem? Em mim, neles, ou num Deus que agora questiono, porque sofro só.
Mas, já me enganaram, já sofri, e neste momento, qualquer dor, a MINHA dor, é tão grande e imensa, que me deito no colo da minha mãe e não quero crescer, quero continuar ali, em sonhos de criança...mas dentro de mim rasga-se em liberdade, esta entidade que me força a encontrar espaço em mim para acreditar que tem de haver um algo, lá à frente, num fim, que recompensa estas caminhadas.
Permito-me, abro lentamente os olhos e de colo dado, numa linha de coração, em olhares cruzados contigo, minha mãe, meu porto seguro, que me embalas, atiro-me de frente para o crescer, de peito erguido em coragem de cruzado, ocultando um pintainho cheio de frio e receio do escuro da noite.
Que preciso?
Que me dês...me dêem...
Compreensão, pois tenho medo de ir, de deixar, de seguir em frente e passar a ser, sem ti, sem vós.
De colo, porque embora crescida, me sinto pequena, frágil e desprotegida do mundo que me deram.
De silêncio, para me ouvirem dizer as minhas dores, que podem ser parvoíces, mas a mim perfuram-me e tiram-me o ar.
De espaço...para estar, existir, por quem sou, no vosso mundo, na vossa casa, mas que deixe de ser vosso, até que eu possa ter os meus...
De atenção, porque às vezes não grito, não peço, mas, preciso muito...
De paciência para crescermos juntos...hoje, o meu hoje não é o vosso, ajudem-me, não me deixem só, mas sigam o tempo no meu ritmo, pois eu não tenho as vossas ferramentas, maturidade, ou coragem...
Façam de mim crescida, no meio dos meus perdidos, façam de mim perdida, mas segura e achada dentro de mim.
Obrigada pais..."
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