sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Adolescência Crescida...Enleios, Labirintos, Encruzilhadas...PERDIDOS NAS ACHADAS


Para mães, pais, e filhos...naqueles espaços em que não cabe ninguém, e no desespero, pensamos todos, que não sabemos o que fazer...


"Chego a um ponto de descontrolo, de lágrimas banhada, com gritos de raiva, coexistências de amor e ódio...não sei por onde ando e onde quero estar, num desassossego doido, de nem a mim me querer.
Encontro-me dentro de mim, enleada, em soluções, ilusões e perguntas sobre um  mundo cheio de tudo e de nada, que nos oferece a cada encruzilhada, decisões que nem sempre sabemos tomar.

Na cabeça, reside um labirinto de opções.

Estou na estrada de deixar de ser criança, e passar a ser crescida, salto do colo da mãe e vivo a Vida, ou fico aqui parada na procura das respostas que os meus 16 anos não me dão...?

Vivo este amor por estas entidades que me fizeram, criaram e ensinaram, ou corto, desgarro-me para me encontrar em mim, e descobrir quem eu sou, quem é o EU que existe em mim, que não é parecido, tal e qual, sem tirar nem por, um alguém que já existe na linhagem que me antecedeu.

Quem sou, na minha pessoa inteira?
Onde estou amanhã?
Em quem acredito?
Há Deus?
Há Universo?
A minha melhor amiga é mesmo?
O que é ser pessoa?

Que valores são todos os que me ensinaram e com os quais, agora, me vejo confrontada, e não existem, ou contorcem-se nas realidades e verdades de cada um. Que não são as verdades que me ensinaram...que a verdade pode ser mentira, e a mentira, pode ser a minha verdade. Que a verdade dos adultos pode não ser a minha. Que as justiças e injustiças, minhas, dentro de mim perdidas, não se igualam ou tocam aqueles que me rodeiam.

Onde está a minha MÃE, ou PAI, as entidades perfeitas e gigantes, no cimo do trono em mim moral?

Como lido com o descobrir que são, ou que nunca passaram de ser, pessoas, daquelas, normais...mas, que amo com tal força, que consigo num rasgo de tempo, odiar com as mesmas ganas, com que amo, e morro por?

Como choro e rio, no mesmo segundo, e me encontro entre hormonas que em mim flutuam, e me fazem questionar. É tudo isto real, vivo aqui? Tenho alma, sou imortal, reencarnarei, posso ter fé...???

Fé em quem? Em mim, neles, ou num Deus que agora questiono, porque sofro só.

Mas, já me enganaram, já sofri, e neste momento, qualquer dor, a MINHA dor, é tão grande  e imensa, que me deito no colo da minha mãe e não quero crescer, quero continuar ali, em sonhos de criança...mas dentro de mim rasga-se em liberdade, esta entidade que me força a encontrar espaço em mim para acreditar que tem de haver um algo, lá à frente, num fim, que recompensa estas caminhadas.

Permito-me, abro lentamente os olhos e de colo dado, numa linha de coração, em olhares cruzados contigo, minha mãe, meu porto seguro, que me embalas, atiro-me de frente para o crescer, de peito erguido em coragem de cruzado, ocultando um pintainho cheio de frio e receio do escuro da noite.

Que preciso?
Que me dês...me dêem...

Compreensão, pois tenho medo de ir, de deixar, de seguir em frente e passar a ser, sem ti, sem vós.

De colo, porque embora crescida, me sinto pequena, frágil e desprotegida do mundo que me deram.

De silêncio, para me ouvirem dizer as minhas dores, que podem ser parvoíces, mas a mim perfuram-me e tiram-me o ar.

De espaço...para estar, existir, por quem sou, no vosso mundo, na vossa casa, mas que deixe de ser vosso, até que eu possa ter os meus...

De atenção, porque às vezes não grito, não peço, mas, preciso muito...

De amor, aquele que me dão nos olhares de orgulho, no empurrão que me manda seguir.

De paciência para crescermos juntos...hoje, o meu hoje não é o vosso, ajudem-me, não me deixem só, mas sigam o tempo no meu ritmo, pois eu não tenho as vossas ferramentas, maturidade, ou coragem...


Façam de mim crescida, no meio dos meus perdidos, façam de mim perdida, mas segura e achada dentro de mim.

Obrigada pais..."

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

VIDA


Hoje, quero falar, reflectir...escrever solto, nas linhas que se seguem, coisas que discuto com quem me procura, coisas que esquecemos no dia-a-dia, no momento que passa, naquele segundo que ainda agora olhei e vi no relógio: A Vida e a sabedoria de a viver.

Todos nós somos especialistas da nossa própria vida, cientistas que a investigam, jornalistas que a reportam, máquinas fotográficas que a registam, somos protagonistas desse palco com papel principal, mas, por vezes, senão muitas vezes, esquecemo-nos que o palco é nosso, que os espectadores esperam de nós uma peça...uma intervenção, esquecemos que subimos ao palco, e que dele temos de fazer caminho. Estagnamos, perdidos em pensamentos, em distracções, em barulhos e ruídos alheios.
Perdemos o Norte, perdemos a energia que necessitamos, porque não a poupamos, porque não a renovamos, porque basicamente na pirâmide de prioridades, esquecemos que quando olham para o nosso palco, a peça só pode ir para cena, para estreia, se eu não faltar aos meus próprios chamados.

Quem de vós se ouve, se "presta atenção", se acolhe em si mesmo, e dedica um tempo, um qualquer tempo, a viver, a fazer o que dá prazer, o que nos recarrega.

Oiço tantas vozes, a dizer, Rosa não há tempo, não pude, para a semana, hoje não dá, um destes dias, lembre-me de novo o que é para fazer, "como é que isso se faz?", o tempo corre e foge, são os miúdos sabe..., é muito trabalho...

Eram, são infinitas as desculpas, a nós mesmos, é o ruído de fundo que permitimos que exista, para que tal e qual o mágico, o ilusionista, com esse ruído, não prestemos atenção aos gritos que me dizem: vive, vai ver o mar, ouve música, canta em voz alta, chora, lê, passeia, vai ao cabeleireiro, dá uma volta, lê uma revista, come em pratos de plástico e não laves loiça, foge por 10 minutos, desliga o telemóvel, desliga a TV, não vás às compras, ou, vai às compras, sonha acordado, vai a uma massagem, deixa cair batalhas desnecessárias....
Não ouvimos, mas ela, a Vida é implacável, apanha-nos a cada esquina de relógio em punho, que nos esfrega na cara, e nos relembra das finitudes de tudo e todos os que nos rodeiam. Mas, onde está a sapiência adquirida, que desta vida vivida, me devia ensinar, empurrar, abanar, para que em cada um dos meus dias, para que a cada um destes intervalos temporais de que me componho, me tirasse da inércia, e com ou sem atrito, me empurrasse para fazer por mim, para aprender a viver um momento, a construir a felicidade em somatório de eventos e não como o santo Graal que por mim aguarda num algures, escondido, com um mapa que me é inacessível.


Quantas lutas se travam reais???

Há quanto tempo não se vive, não vive, não se cuida?

Por favor, não me responda amanhã...arranque, todos os dias, um pouco, um pouquinho, que no fim será tanto.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Da solidão faço minha habitação...

 
Hoje, falei de solidão e vazio com muitas pessoas, falei do que é habitar em nós, com o sentido de se estar só, e de como tudo isto pode ser triste, pesado, vazio, ou numa oposição bizarra ou até numa dicotomia quase irónica, pode ser, ao contrário, um estar só, rico, positivo, cheio em si mesmo, e, decidi reflectir convosco, sobre este tema...a solidão em nós, a solidão que nos habita ou, que nós habitamos, e talvez de alguma forma roçar o tema da Vida e da Morte...

Hoje viajei por extremos, por aqueles que na sua solidão e silêncio se inspiram, se encontram e ouvem as vozes interiores que na surdina dos barulhos citadinos, que a muitos nos rodeiam, não deixam sequer ouvir o grito mais alto que ecoa em nós. Ouvi como se precisa de sofrer ou, até de estar só nesse sofrer, para crescer e para escrever, para pintar, criar...e como a solidão inspira, pois a companhia, o ruído, a conversa fiada e divertida, distrai as ideias que nos invadem a cabeça no silêncio do nós em nós mesmos.

Falei de como se está só na doença, porque em última análise, muitas vezes a doença impede de viver a companhia do outro, de a querer, e às vezes na doença mental, até de a entender ou percepcionar.

Como estamos sós na morte, seja ela súbita, planeada, com tempo, sofrida ou tranquila, porque nesses dados momentos de confronto com a nossa finitude, com os limiares dos caminhos que percorremos, existe um momento em que se parte, e nesse segundo, instante, vai-se sem companhia, sem uma mão sentida...para um espaço que vai depender de todo o processo de fé.

Que muitas vezes as pessoas se sentem sós na vida, que levam, que têm, que se permitem viver, que as deixam vazias no sentir, ou encaminhadas em caminhos traçados a escuro, por um carvão que não é nosso, ou que nos supera. Sós numa vida repleta, cheia e maravilhosa, ou sós, numa vida vazia, difícil, desafiante...o só, depende do nós, do viver e sentir que abre espaços na nossa habitação, na estrutura que o nosso corpo nos fornece, com perspectivas que nos permitem mobilar a habitação e rodear e namorar a solidão, levando-a de mão dada, em caminhos de luz, que nos acompanham no processo de encontro próprio e de criação. 

Num caminho de fé, em que só nos ouvimos a nós, e nesse encontro entre nós, nos respeitamos e apaixonamos, ouvindo e entendendo as linguagens que falamos, em todas as suas dimensões, e que nos permite então, mais tarde e em pleno, saborear o estar com um alguém, encontrar um alguém...pois ai, existem agora, espaços na habitação para viver o outro.

Podemos habitar-nos de tal forma com esta solidão, que estamos sós na multidão, transparentes ao sorriso, ao estender de mão do outro...passamos, não marcamos ou não deixamos que nos marquem. Sentimos-nos sós nos valores, num viver que parece não ter espelho, não ter ouvintes ou seguidores, questionamos a sanidade das ideias que ouvimos na nossa solidão, e que nos leva a dar ouvidos à nossa voz, que nos conta histórias de como a vida pode ser, e muitas vezes não é.

Estamos sós no sorrir, porque há quem se esqueça, quem os tenha perdido na habitação, na residência, que deixou de ter morada, que se perdeu no monólogo interior pois extinguiu a fé no próprio, a fé no que reside nos cheios e vazios do "Nós" que somos em tudo o que fazemos e podemos ser.

Estamos às vezes, muitas vezes, sós no amar do próprio, porque achamos que só o podemos fazer na dependência do amor do outro, no espelho desse olhar alheio que supostamente nos define e atribui valor, quando, muitas vezes, este nosso amor se encontra apenas dependente da capacidade de apreciar estar só comigo mesmo, e aprender a conhecer-me a olho nú, despido de qualquer preconceito ou juízo de valor...deixamos-nos sós na inspiração, de encontrar em nós o tesouro interno que todos temos nas divisões que permitimos serem habitadas, porque não nos permitimos estar sós na nossa solidão, que nos permite a paz para nos vermos, sentirmos e conhecermos nos nossos quereres e nas vozes de alma. No entanto, permitimos que estranhos, entidades de valor nem sempre definível, nos invadam, e transformem o silêncio e a solidão, ou o estar só, num ruído que ensurdece e do qual quero fugir. Habitando espaços meus que me transformam, sem aviso. Vamos dar ordem de despejo ao que nos faz mal, arejar a habitação que tenho, e aprender a valorizar as divisões, e as características que me fazem ser um espaço único, repleto de tesouros, e segredos, ideias e sonhos, que me permitem ter um monumento a mim mesmo, uma ode, a quem sou!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

À espera...

À espera...


Processo humano, ou característica humana...sem dúvida...esperamos sempre, e essa espera faz parte do presente, do futuro que se segue, desejado ou não e, dá aquele desassossego que nos faz sentir vivos, mais vivos. Esperamos em dias de chuva um sol...brilhante e radioso, daqueles dias da memória, em que o sol foi portador de bons sentires...de um certo calor no rosto, de olhares para o infinito, em que na linha do horizonte se desenhava, no meio do mar e do céu, a linha infinita da esperança.

Esperamos, aquela surpresa, "aquela" que queremos que quem ama saiba fazer, prova irredutível da simbiose de almas que nos une e demonstra no dia-a-dia o jogo de afectos.
Esperamos pelo comboio, sempre na esperança que chegue um pouco mais cedo e nos deixe ganhar neste jogo do tempo, numa corrida vencida à partida.
Esperamos quando olhamos na multidão e nos sentimos sós, na esperança de ver um olhar amigo, um rosto reconhecido, ou um sorriso que nos diga: "está tudo bem, estou contigo".


No trabalho, onde nos entregamos em lutas e dedicações diárias, esperamos um apreço, um reconhecimento, uma palavra de elogio, uma palmada no ombro, para que caminhar seja mais fácil...para sentir que estar longe de tudo para ali estar vale a pena, para sentir que não sou insubstituível, mas sou sem duvida especial, sou EU, sabem...EU.

Espera-se um abraço, um beijo, um afago, em todos os momentos, mas mais ainda naqueles que não se espera, porque se anseia...
Espera-se que a sorte nos encontre um dia, e nos permita viver algo, sem luta, algo de mão beijada, sem a desconfiança de que não seja possível.

Espera-se lealdade, amizade, confiança...espera-se em todos os momentos que os seres humanos sejam melhores, que nos surpreendam pela positiva e nos mostrem porque é que este caminho, a caminhada, faz todo o sentido, finito ou infinito....


Espera-se o regresso de quem parte, a hipótese de se dizer o que se não disse...dar o último abraço ou retirar a última discussão, espera-se que de quem não se sabe, que se venha a saber, pois não há pior do que a espera sem fim, sem destino certo, não me deixa partir e não me deixa realmente estar. Que angústia a de esperar de quem não se sabe, de quem talvez se tenha perdido, de quem nos mata de saudade, que não vemos crescer, de quem o destino nos retira, sem aviso de e para onde, de porque ou porque não.


Espera-se no banco de hospital pela vez, pela boa nova...pelo fim da angústia, por conseguir encontrar a resposta que não nos deixe desesperar...
Espera-se que o outro diga algo, que me impeça de partir, de cair, de me sentir frágil...que estenda a mão...
Espera-se no cais, no aeroporto pelo último adeus, e, espera-se no cais e no aeroporto por aquele momento em que já nada se vê, mas ainda me sinto próximo.

Esperamos no cais pelo regresso, com olhos fixos no horizonte...num jogo de quem vai ver primeiro...
No Verão à beira-mar, quantas vezes esperamos a onda certa para entrar para mergulhar...esperamos que todos se sentem à mesa para num ritual de respeito comer em conjunto...esperamos...

Ficamos à espera...
Que amanhã seja melhor...
Que a próxima vez seja melhor...
Que as coisas se resolvam...
Que gostem de nós por quem somos...
Que um dia, vários dias, tenhamos a força de esperar por mais...

Esperamos, e fazemos bem, sem dúvida nenhuma, pois quem espera, de alguma forma consegue "por-se a jeito" de ter o que quer, de dar uma chance à sorte, ao acaso, ao imprevisto, com uma ajuda de fé própria e algumas acções que nos podem ajudar na espera, criando as situações ideais para que o que se espera venha.

Para na espera construir, porque se o amanhã nunca chegar, cheguei ao que esperava, e, se partir antes de esperar, nunca saberei.
Mas antes...
serei capaz de dizer que esperei porque preciso de ti...
Esperei porque precisei de perdoar...
Esperei porque não quero fazer sofrer...
Esperei porque tenho fé...

Esperei porque preciso de esperar para ver o amanhã chegar...e esta é a fé e a resiliência humana...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Desilusões...

Nas pontas dos dedos,
desenham-se sonhos,
desejos,
ilusões...
tocam-se melodias,
que fazem encantar...
No peito rasgam-se emoções, 
criam-se vontades...
pintam-se realidades,
não vividas,
não sentidas...
não esperadas.
Nas pontas dos dedos,
imaginam-se estradas,
contam-se histórias...
beijam-se bocas, por tudo
e, nada...
num universo que é só meu...
fantasias de ser feliz,
na lágrima que não corre,
no peito que se rasga,
e parte,
por não ter o que se quer,
o que se adivinha,
numa história sem fim...
Nas pontas dos dedos,
escrevo o que não vejo,
que não chega a ser...
que não passa de ilusão,
reflectida dentro de mim.


Desilusões...expectativas

Conversas de sofá...

Apostar nas relações tem disto...sejam elas as mais simples da vossa Vida, sejam elas as mais complexas e intensas.

E pior, independentemente da profundidade da relação, desiludirmo-nos, custa, dói...e faz-nos retrair, ter medo de tentar de novo, de dar, de não receber, de cair na conversa de novo...faz-nos desconfiados...

Tudo sentimentos dos quais não gostamos, mas que nos afundam num possível afastamento dos outros, ou numa solidão fingida, induzida por ausência de investimentos.

Hoje vamos pensar em exemplos, vamos reflectir sobre estas desilusões, e como nos protegermos delas, mas acima de tudo aprendermos a viver nelas, sem nos deixarmos de dar, de conviver, de acreditar...

Muitas vezes oiço as pessoas falarem das suas desilusões com o outro, aquele sobre qual nós depositamos algum tipo de expectativa, de desejo de retribuição ou de acção, e no processo, algo falha, e a entrega não acontece.

Podemos estar a falar, de um filho, de um amigo, de um pai ou mãe, de um amante, de um colega de trabalho...estamos sempre a falar daquele(a) a quem nós no processo da relação, atribuímos um determinado valor, papel na nossa Vida, e como tal, em determinadas circunstâncias (ex.: aniversário, acabar um trabalho/tarefa, telefonar, demonstrar afecto, organizar um jantar surpresa, adivinhar sentires, etc....), criamos as ditas expectativas, que nos permitem, fantasiar ou pensar no que o outro poderá, ou vai fazer.

Na realidade, pode existir um desencontro destes nossos desejos, fantasias, vontades, expectativas, e o que a realidade (os outros), na realidade são capazes de nos dar. E é nesse desencontro que residem as desilusões...a tristeza, do que na realidade nunca foi, nunca chegou a existir, mas porque foi esperado, ou sonhado, é como se existisse uma perda, às vezes quase luto. Muitas vezes, tão, ou mais intensa do que se as situações fossem reais e não fantasiadas.

Este processo é muito difícil de ser alterado, ou evitado, pois faz parte dos seres humanos, sonharem, criarem expectativas sobre o que vai acontecer, sempre num processo de tentar adivinhar o que vem a seguir...a procura da perfeição, do encontro entre desejos, a realização através do outro, a paga da Vida...o que pode ser alterado não é o processo em si, mas sim, as interpretações do que vem a seguir. Fantasiar, desejar, querer, mas, ser capaz de perante o que a Vida e os outros nos dão, aceitar, receber, e viver as coisas na sua totalidade, mas não permitindo que esta se contamine por aquilo que não foi, ou não chegou a ser...

Nota: este exemplo não tenciona ser sexista na escolha de género dos personagens, mas sim e apenas, dar uma ilustração possível  ;0)

Por exemplo, uma mulher, espera que no dia em que celebra o seu aniversário de casamento o seu marido a leve a jantar ao sítio onde a conheceu, num postal lhe escreva a letra da canção que dançaram juntos, pela primeira vez...que lhe dê uma prenda que simbolize o seu afecto, etc., etc. (as mulheres são muito profícuas a imaginarem 300,000 opções diferentes de demonstrações de afecto, que passam não apenas pela presença do outro, mas também por objectos símbolos desse afecto)...leva não o dia, mas a semana toda, o mês...a imaginar, interpreta os silêncios do companheiro como sinal de que surpresa se aproxima, que ele está a criar suspense, não lhe pede nada, ou dá sinais, pois valoriza a surpresa, e vai dando asas a sua imaginação...o dia chega e...

O companheiro, lembra-se no próprio dia que é o aniversário, que já não tem tempo de fazer grande coisa, mas como a companheira não falou no assunto, ele calcula que ela também não se lembrou, ou porque não lhe disse nada, não planeou nada...por isso, tenta improvisar, pois o que é importante é que consigam passar um pouco de tempo juntos. Pede à sogra para ficar com os miúdos, compra uma rosa por cada filho, encomenda um frango assado, prepara uma garrafa de um vinho, e pensa que vão fazer um jantar de "desenrasque" na sala, pratos de plástico para que ninguém tenha de arrumar nada a seguir, e juntos, na conversa, vão celebrar e vão acabar a noite a fazer amor...

Encontro dos companheiros...conforme se desenrola o momento, ela cada vez mais tensa, desiludida, na espera do que ele oculta e ainda não deu, ou disse...ele a não perceber a tensão não falada...quando a noite acaba, ela encontra-se muitas das vezes incapaz de interpretar todos os momentos como um desejo intenso e profundo por parte dele em estar com ela, sem ostentação através de organizações ou objectos de partilha, e acaba a interpretar a noite como uma desilusão, um desconectar, um desencontro, tudo porque as suas expectativas, sonhos, desejos, não "bateram" certo com a realidade e a levam a uma desilusão, a um desencontro de expectativas, resultado, está triste, sente-se só, não compreendida, e desinveste, podendo zangar-se até...ele fica pendurado no que não entendeu, desiludido de não se ver entendido nos seus gestos e objectivos.

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A nossa realidade, faz com que as possibilidades de felicidade fiquem dependentes da nossa interpretação do que nos rodeia, e da nossa capacidade de aceitar o que recebemos por aquilo que é, por tudo o que entrega e pelo valor que lhe pode ser atribuído,  porque este não se contrasta com o valor do que nunca foi ou aconteceu.

O percurso não se evita, mas a leitura pode ser guiada, como se estivéssemos a pontuar um texto escrito, mas que ainda não tinha sido pontuado, e a cada vírgula, que colocamos, permitimos a nós mesmos a oportunidade de orientar a leitura do texto para a melhor interpretação possível, porque isso nos permite usufruir do momento, tirar o seu melhor para o nosso interior, e recolher um saldo positivo no fim...um saldo de afectos, que nos preenchem, completam.

Claro que podem dizer que são estas leituras que também nos levam a desilusões com pessoas, a um vazio que se arrasta, pois nunca vemos as nossas expectativas cumpridas, a uma ilusão na procura de ver as pessoas como melhores do que na realidade são...sim e não, é fazê-lo com prudência, investe-se em quem queremos e de quem queremos o seu melhor. Acreditamos no outro, porque o outro nos dá, embora às vezes não o que queremos, e se queremos as nossas expectativas cumpridas, aprendemos a PEDIR...pois assim, damos ao outro a oportunidade de saber o que queremos e a poder dar-nos o que conseguir dar e mais, damos a nós mesmos a oportunidade de viver mais felizes, porque em vez de vivermos os filmes da fantasia, vivemos as realidades que o outro nos consegue dar e faz partilhar. Pensemos...

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Gostar...

Significado de Gostar

v.t. Achar saboroso: gostar de morangos.
Sentir prazer em: gostar de sair.
Ter afeição ou amizade por; amar: gostar de alguém.
Ter como bom; aprovar: gostar de uma sugestão.
Ter inclinação por: gostar de matemática.

Sinônimos de Gostar

Sinónimo de gostar: adorar, amar, apaixonar e enamorar

Definição de Gostar

Classe gramatical de gostar: Verbo transitivo
Tipo do verbo gostar: regular

Nos últimos tempos tenho tido os meus clientes a falarem sobre uma dificuldade que têm...que é a de, muitas vezes, não conseguirem sentir que gostam de si próprios, em encontrarem razões para se valorizarem, para conseguirem estarem de bem consigo mesmos...encontrarem paz...e um caminho na sua Vida que os leve não só aos sítios que definiram, a sós, ou em conjunto, mas também a um caminho pessoal...a um caminho de realização...
Estas dúvidas não são fáceis de resolver, se as dúvidas assentam em problemas do passado, em problemas que possam remontar à infância, a experiências passadas, que se encontram enterradas, e o próprio, quase que não tem consciência de as ter vivido.

Mas ser difícil, não torna o caminho impossível...
Ser penoso, ou doloroso, pode ser, ou vir a ser libertador...

Este trabalho do gostar, do descobrir as forças, de amar o nosso ser, de conseguir encontrar sentido em nós, ter espaço para crescer, viver silêncios, estar só...implica dedicação e vontade nossa, e é reforçado se tiver acompanhamento, ou uma boa companhia...alguém, ou alguns  que nos dêem a mão, nos ajudem a dar os saltos que são necessários, mas é também um processo que se consegue fazer, se existir resiliência e vontade de seguir caminho feliz...

Não quero ridicularizar o processo, por tentar nuns parágrafos, deixar algumas ideias, ou sugestões...no entanto, eu, acredito, que às vezes um pontapé de arranque pode ajudar, por isso, com este texto tenciono apenas, deixar o mote...deixar a vontade de tentar...


Ninguém consegue ser plenamente feliz, amar alguém, sonhar, se no fundo, não se amar a si próprio...precisamos de ter este sentir, para que as portas a uma existência mais completa se abram, e nos permitam, ver além, sentir além...

Por isso, o ponto de partida é aprender a gostar...de si.

Como?

Ganha coragem e carregado de honestidade, senta-se com um bloco/caderno, e uma caneta (ou lápis, não sou exigente, não pode é apagar), e vai escrever uma lista, de coisas boas que gosta em si, primeiro as coisas físicas que aprecia...e seja honesto, a lista é para si...coloque tudo o que gosta em si, as mãos, os olhos, as pernas...qualquer coisa, o que importa é que encontre os atributos físicos, dos quais se sente orgulhoso, com os quais está feliz.

Depois vai escrever a lista das coisas que o caracterizam, a nível de personalidade, ou forma de viver, e que o fazem ser especial, que o deixam feliz, contente consigo...Liste os valores, as capacidades, o saber dar ou receber, o que faz, o que sabe fazer, no fundo, quem você é.

Depois fecha o caderno, e segue caminho, segue com o seu dia...mas tenta ir pensando em si, no que os outros vêem em si, no que os outros costumam elogiar, e se concordar, abre e acrescenta...E durante uns dias, é o que vai fazendo, quando sentir que se conseguiu resumir, senta-se e vai ler, o que escolheu, o que escreveu...e deixa a lista entrar em si...e pense, como se vê, como veria alguém assim, como você...e deixe assentar em si, essas verdades, esses elogios ao próprio.

Agarre-se a essa imagem de si, e com a sensação, de que deve acreditar, e sentir que se você for mesmo assim, até é um alguém merecedor de afecto, de entrega, de vivências especiais...deixe-se ir, e viva o que sente por si, acredite...(tente pelo menos, para poder por à prova esta nova teoria de "si", esta nova visão)...

Com esta imagem, sensação, na cabeça, na sua imaginação, num cantinho do seu coração, saia para a rua, e viva-se de novo... entregue-se a este papel, em que vai acreditar, ser quem descreveu...

E observe os outros, as suas reacções a si, e anote em si, no seu bloco, no seu sentir, na sua pele...no seu coração, e permita-se tentar acreditar...

Este pode ser o seu primeiro passo...
Pode também escrever nuns post-it algumas das coisas que mais gosta e cole-os ao espelho...e leia-os de manhã, ao deitar...

Pode perguntar a alguns dos seus amigos, para o descreverem com uma palavra...e aceite o que vier...com gosto.

Faça GOSTO, a si mesmo, veja-se por quem é, no seu interior, no seu exterior, e faça de si o seu cartão de visita...

Mude a sua Vida, criando espaço, para este seu novo amor, e permita-se apaixonar-se por quem você é.

Aprenda a viver mais, as coisas simples da Vida, e acredite que ao viver-se nelas, com um novo sentir de si, acreditando que pode gostar de quem é, que pode confiar em quem é, para si e para os outros, todas as suas experiências começam a acumular certezas no seu interior, que o deixam ir acreditando que é verdade, que é alguém de quem é possível gostar, que faz apaixonar, que os outros respeitam, gostam, querem nas suas Vidas...

Entregue-se a si...
Goste, muito...