quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

SEXO


Um cigarro fumado,
um abraço roubado,
um momento fugaz,
um prazer profundo,
um pedido,
uma entrega,
um perdão,
um animal liberto,
um preconceito desfeito,
é existir em ti...
é ter-te em mim.

AMOR





Cheiro o teu cabelo, 
respiro a tua pele,

vivo em ti...
sinto a tua alegria, a tua dor, as tuas tristezas, 
sinto....

quero-te,
e, saboreio a tua presença,
angustio ausências,
recheio-me de ti e
vivo, este amor...

FELICIDADE


Emoções, que nos explodem por dentro...
Rasgos de vidas melhores,
Momentos de super-poderes...
Omnipotência sentida,
e partilhada.
Parir de dentro
um fogo de artifício,
viver nas nuvens por momentos,
ser maior do que a Vida...
receber um abraço sentido,
ver nos olhos amor,
carregar nos braços um filho,
e ser capaz...de morrer por amor.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Amores...


Tu chegas, eu estou…
Tu vais, eu fico…
Tu pedes, eu dou…
Tu dás, eu espero…
Danças de amor,
enleios de afectos, repetidos, trocados…beijos desesperados.
Abraços profundos, no toque da pele, e respiração…
Não vás, que eu estou!
Não peças que eu dou,
Respira comigo, nesta união,
Entrega-te, que eu estou…


Amores, sentimentos fortes carregados de reticências, vazios, silêncios.

Carregados de esperança, de entrega, de medos e receios, de fé no outro e em nós...complexidade de vontades, de desejos...casais, filhos e pais, a ninguém escapa, esta viagem, esta procura incessante, este encontro entre eu e o outro, de quem quero algo, de quem dependo, o amor é felicidade, se me sentir amada, se me sentir correspondido, se na entrega, na troca, recebo, vivo, respiro livre...mas nem sempre assim é, pois não sei receber, não sei pedir, não sei aceitar...questiono, duvido, receio e fujo...

Vejo tantas pessoas em amores profundos, intensos, cheios de vontade de estar, de dar e receber, mas paralisados por medos e fantasias de perda, desertos de mergulhar de cabeça, mas enleados em raciocínios complexos, tal teias de aranha, labirintos da mente, amarrando os sentires a pedras, que se afundam e nos levam com elas, parem!

Não permitam que pesos de Vida, de perda, de desamores, de egoísmos, de traição, de deslealdade, vos arrastem, para tal ponto, que percam a inocência de amor puro, de amor para não ter retorno, aceitem, entreguem-se, vivam, sorriam, e tenham uma fé inabalável em vós, no sentir, no sonhar - nos sonhos que vos carregam, e levam a caminhadas intensas e lindas...respirem a Vida como se fosse um ar gelado de norte, da serra, e que vos acorda por dentro, mas que rapidamente se aquece, com a vossa chama interior, que vos leva a dar fogo, vida, amor, ao filho, ao pai, à mãe, ao marido ao amigo, à Vida que querem viver e construir!!!




Vamos viver, amores, dar e receber, vamos aprender a viver, com erros e enganos, que nos permitem sentir...vamos amar, tudo e todos, marcar a diferença de poder ser em nós e nos outros.


Sim, vamos amar, carregados de medo, mas na esperança de nunca os perder...
Vem, que eu estou!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Perdas…luto, dores intensas, amores profundos...




Perder alguém, de repente ou como resultado de algo prolongado, com que idade, em que circunstâncias…As diferentes situações, ou os pormenores destas histórias, transformam as experiências em vivências muito diferentes, mas, luto é luto, e uma perda é uma perda, não havendo nenhum tipo de volta a dar a tal situação.

Perder é sentir que nunca mais se recupera algo, é viver uma saudade intensa, não só do que se teve e perdeu, mas também do que não se fez, do que não se disse, e do que não se viveu.

Viver o luto é viver um ciclo de emoções, que se repete vezes sem conta, e que com o tempo só se vai tornando ligeiramente mais fácil, mas com uma saudade mais intensa. Zangamos-nos, revoltamos-nos, negamos, aceitamos, e volta tudo de novo ao princípio...Questionamos as entidades divinas, os porquês, a injustiça, tudo porque a dor nos é difícil de suportar.

Se somos adultos, temos de aprender a viver na ausência, relembrando, mantendo viva a memória, celebrando o que eram e como eram, falando e sonhando, com partilhas inexistentes...Caminhando às vezes para a aceitação de um processo de substituição, casar de novo, ter mais um filho, entre outras...

Se somos crianças, podemos ganhar medos intensos, conhecimento de que a morte existe, que as pessoas de quem gostamos podem morrer, assim como nós próprios. Podem surgir medos nocturnos, apego excessivo, ansiedades de separação, vontades inexplicáveis de não se quererem separar, de não quererem dormir, de não quererem perder nada...

Como falar disto? De forma simples e adequada à idade, e às crenças de cada um. É algo natural, que por norma só acontece às pessoas mais velhas, ou em situações de doença, facto é, que a pessoa nunca mais volta, mas, nós podemos sempre lembrarmos-nos dela.

Quando tiver saudades, que fazer? Falar, ver fotografias, lembrar histórias, ajudar a entender a saudade e a vontade de ver de novo. 

Muitas vezes podem criar-se rituais de lembrança, dependendo da idade, como ir ao cemitério no dia dos anos de quem partiu, ou fazer um jantar especial, nesse dia, e falar-se da pessoa, relembrando-a. Apaziguar a angústia, dizendo que nestas situações às vezes, as pessoas ficam melhor assim. 

Talvez abordando o sofrimento em que o outro se encontrava, caso fosse uma doença, ajude a aceitar e entender. Mesmo que existam crenças religiosas, não dizer a uma criança, que a pessoa está no céu, ou nas estrelas, pois pode criar medos de andar de avião, de adormecer à noite por causa do céu estrelado, de querer ir ter com eles…etc...


Tornar o evento doloroso, numa parte da Vida e do quotidiano, é tarefa crucial, tentar continuar com a Vida com um número mínimo de alterações, acompanhar as dúvidas, as saudades, com conversas sobre a pessoa que está agora ausente, sobre como pode ser um exemplo de coragem, ou como gostaria de nos ver seguir com a vida para a frente, fazendo o que gostamos e precisamos. É como que encontrar de novo um sentido, e um objectivo, agora sem aquele elemento que tinha a sua devida importância, e justificações como estas podem-nos ajudar a seguir em frente.

Deixar chorar, deixar deitar para fora esta forma de sofrer, pois se a criança não o fizer com medo de deixar os pais tristes, ou outro alguém, faz a criança fechar-se, para não os preocupar, então, esta deixa de ter espaço para ter um ombro, um conforto, ou uma explicação, das pessoas que lhe são próximas e que podem retribuir carinho, paz, explicações coerentes. 

O mesmo se passando com os adultos, embora cada pessoa viva o luto à sua maneira, durante o seu próprio tempo, e apenas a passagem dos dias, e a adaptação que a vida força, nos leva a encarar a perda e a superá-la com o tempo, de forma saudável, ou não...Perder não quer dizer que se consiga deixar de amar…

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Criar os nossos filhos sem heróis…


Numa sociedade em que cada vez mais, nós pais, nos encontramos a dedicar e a focar grande parte das nossas vidas, senão toda a sua totalidade, em torno da educação dos nossos filhos, encontramos-nos num grande dilema…quem são os heróis de quem podemos falar, e que tenham uma ligação verdadeira, ou real, ao seu mundo actual.



Claro que nos podemos referir aos avós, mostrando como o seu esforço e dedicação nos levou a sermos quem somos, falar dos seus feitos e das suas conquistas. Podemos ainda, usarmos-nos como referências, para que em nós eles possam ver um modelo a seguir, fazendo valer todos os valores, a moral, o altruísmo, o desejo de um futuro melhor, mas estes modelos, já são usados por eles, sem que seja necessário um esforço adicional…quando falo em crise de heróis, falava daqueles que podíamos referir, que fazem parte da comunidade pequena, da alargada, no País, no Mundo, e que lhes permite sonhar, com ser mais, “ser como nós”, ou como esse alguém que não deixou de ser capaz de influenciar indivíduos ou gerações.


Recordo-me do orgulho com que vestindo a minha farda de escoteira, me arrepiava e emocionava ao içar a bandeira nacional, ao cantar o hino, ou a representar o meu País, como se todas estas coisas me fizessem sentir parte de uma família maior, como se estas coisas todas me obrigassem a ser melhor, a querer ser maior.

Não era só invadida de histórias sobre nomes internacionais, era também partilhada a história da minha nação, da luta de quem cá vivia, dos trabalhadores honestos, dos bombeiros, dos presidentes, dos médicos, das pessoas a fazerem o bem, daqueles que se esforçavam por conseguir uma qualidade de vida que passava por ajudar o vizinho, por deixar exemplos comunitários que se contavam e passavam.

E agora, claro que ainda há muitos pequenos exemplos, mas de repente sendo mãe, e querendo que eles se apeguem ao País, ao hino, à comunidade, que sejam heróis no seu e no meu coração…vejo-me confrontada com uma crise de heróis…em que até o homem-aranha teve de desenvolver um lado negro, de vilão, para cativar audiências, para demonstrar que também se idolatram os lados maus, escuros, ocultos…

Eu, só lhes consigo falar das “pequenas” grandes pessoas da nossa comunidade, que são exemplo de luta, de entrega, de trabalho, de amor ao próximo…mas não me posso alargar muito, pois caio na situação deles mesmos me chamarem à atenção para o facilitismo da nossa sociedade, para a desonestidade, para a injustiça, para a falta de patriotismo, simpatia, amizade…que vai caracterizando a nossa nova sociedade que de alto devia exemplificar.

Vamos todos reflectir, por nós, pelos nossos filhos, pelos filhos dos outros e pela nação. 

Vamos todos dar exemplos, por pequenos que sejam, para criar heróis...para que contemos histórias de bravura e de integridade…e para que todas as crianças destas gerações, saibam o que é ser Pessoa, terem exemplos a seguir e saibam o que é ser Português!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Deslizes, traição…Paixão


Erros, quem os não tem? Vontades de que alguém nos ame, intensamente, para sempre, e que nos dê o que os outros não nos dão, quem não as tem?
Têm-me chegado histórias de amor, interrompidas, por sustos a valer, ou por descuidos, que algumas resultam na reunião de duas pessoas com as situações mais fortes e intensas que antes, mas outras chegam com histórias de afastamento, ruptura, e separação, por isso, quero hoje reflectir sobre estes mecanismos que nos fazem por em risco os para-sempre, e que nem sempre assim deveria ser…
Estas situações acontecem, na minha experiência em ambos os sexos, provavelmente com o mesmo risco, não sendo mais de um lado do que do outro. Acontecem muitas vezes é por razões distintas em determinados aspectos, mas muito iguais noutros…
Quer a mulher, quer o homem, não suportam sentir que o respectivo companheiro, não lhes dê a atenção, dedicação, mimo, amor, carinho, companheirismo, a que se habituaram ao longo dos tempos partilhados, e o nosso amor-próprio numa relação amorosa, está entrelaçado, neste processo de dádiva do outro para nós, se esta balança desequilibra, o nosso “eu” sente-se murcho, sequioso, frágil…e facilmente os “predadores” sentem este efeito, e pode investir, mais do que devia, e nós podemos reagir mais do que queríamos, ou pensamos, e uma coisa começa a alimentar a outra, e muitas vezes estes devaneios param, sem qualquer erro ou má decisão, outras vezes perduram e seguem, pelas mais variadas razões: é só sexo, ela respeita-me, é alguém que me ouve, é alguém me acha bonita, é alguém que tem tempo para mim e me entende, é alguém que me acha capaz, senti-me perdido, etc…, poderia escrever muitas das justificações que aparecem, mas em resumo, a situação deve-se a um amor-próprio que quebrou, uma monotonia ou não-investimento na relação actual, e uma procura do que não se tem.
Se procurarmos métodos preventivos, uso então o exemplo de que, qualquer relação amorosa não é como ter um animal de estimação, ou um passatempo ao qual me dedico, quando tenho tempo livre. É ter e cuidar de uma planta, que não é independente dos meus cuidados, que não sabe mover-se para outro lado, para se proteger da luz em excesso, ou em falta; que não sabe definir quanta água é necessária, tem de ir doseado aos poucos, e para com a qual temos de estar sempre com atenção, para ver os sinais que nos podem indicar se está a mais, ou a menos; o que precisa, e criar um ambiente propicio ao seu desenvolvimento, não esquecendo que a sua sobrevivência depende dos meus cuidados.

Quando alguém ama e se sente amado, brilha no escuro, tem vida, sente-se dono do mundo, a Vida corre bem ou melhor, queremos estar ao pé do outro…quando nos sentimos não-amados ou mal-amados, perdemos a luz, deixamos-nos ir, sentimos que nada está bem…e nestas fragilidades, crescem inseguranças e incertezas, que mal encaminhadas nos podem levar a ter investimentos fora da relação, pode começar por ser no desporto, nos amigos, no trabalho, mas com o tempo, se nada se fizer, vai surgir um alguém, que começa a substituir o outro na nossa cabeça, e com o tempo no coração, criando mais dúvidas…
Aos primeiros sinais, será que não devíamos investir na relação do para-sempre? Sim, mas a exaustão a que se chega, a saturação que se carrega, e a indisponibilidade mútua, por vezes não nos activa a energia para investir para dentro, e leva-nos em busca da novidade…estejamos atentos a tudo isto, pois um investimento constante renova; conversas banais ou importantes dão-nos conhecimento, discussões e desagrados, também aproximam, o que importa é que se invista, que não se perca o respeito pelo outro e pelo próprio…que não se permita a instalação de estranheza entre os dois, que não se permita a entrada de ninguém que substitua…e se algo não está bem, vamos por no aberto, em cima da mesa, e ver o que se passa.
Precisamos de investir, aceitar, dar e pedir, para que não tenhamos de perdoar, esquecer, e remediar. Precisamos de entender que qualquer situação, em que a relação se sinta traída, demora a cicatrizar, e pode não ter solução, dependendo da forma como nós sentimos o acto de trair, como conseguimos o acto de perdoar…pois a única coisa que permite começar de novo é perdoar para esquecer, pois não o fazendo estas situações são invasoras e corrompem a relação, podem para todo o sempre estar no meio de nós, sendo relembradas, jogadas em cara, e isso corrói, e se já não se estava bem, nunca mais se fica…e não se esqueçam, nenhuma relação está mal, porque um de nós falha, a relação é a dois, e dos dois depende para se equilibrar.
Se a situação se ultrapassa, e o casal investe em si, temos às vezes situações que de um grande susto, um grande abanão renascem, recarregadas de forças, e vontade de não permitir novas perdas, novas intromissões, e há uma nova paixão, muito mais valorizada e madura, que permite a ambos, um cuidado, uma preocupação, de não deixar acontecer, pois já aprenderam, já viveram esse erro e sabem o que é arriscar não ter o outro, perder o outro.

A paixão, é um fenómeno, que podemos constantemente recriar, que aparece e desaparece, e que pode nos permitir ir reencontrando novos companheiros no companheiro de sempre, ir encontrando novidades na tradição, desenhando caminhos de desejo, nas certezas e no conhecido, pois embora estas relações sejam “antigas”, nos encontros de cada dia, podemos tentar, relembrar o que nos faz estar lá, e se deixamos esses sentimentos virem à superfície, não é só amor, carinho ou companheirismo, é saudade, desejo e vontade de ter o outro, pensem nisto!